Mid-year review: 5 KPIs que você precisa olhar antes do dia 30 de junho
Em 29 dias acaba o primeiro semestre. Se você só vai olhar o resultado em dezembro, já perdeu. Revisão semestral não é exercício contábil — é ajuste de leme.
Sumário
- Por que revisar em junho — e não em dezembro
- KPI 1 — Receita realizada vs forecast (não vs meta)
- KPI 2 — Ticket médio e mix de produto/serviço
- KPI 3 — Tempo médio de fechamento de venda
- KPI 4 — Margem por linha de receita (não margem geral)
- KPI 5 — Capital de giro em dias de operação
- Como interpretar os 5 KPIs juntos
- O ajuste que dá pra fazer em junho vs o que só dá em julho
- Resumo de bolso

Em 29 dias acaba o primeiro semestre.
Se você só vai olhar o resultado em dezembro, já perdeu. Revisão semestral não é exercício contábil — é ajuste de leme. Empresa que revê em junho chega em dezembro com 2-4% mais margem que empresa que só olha no fim. Junho não é arrumação pra contador. Junho é decisão de operação.
Esse post traz 5 KPIs que toda PME 50k-500k/mês deveria olhar antes do dia 30. Cada um com como medir, o que significa, e o ajuste possível ainda em junho. Nada teórico. Pra revisar essa semana com seu sócio ou seu time financeiro.
Por que revisar em junho — e não em dezembro
Os erros que dezembro descobre são erros que junho ainda corrige:
- Receita abaixo do forecast = mudança de canal / oferta / time de vendas (3-4 meses pra implementar e ver resultado em outubro).
- Margem caindo = renegociação de fornecedor / mudança de preço / corte de SKU ruim (60-90 dias pra implementar).
- Capital de giro apertado = ajuste de prazo de cobrança / antecipação de faturamento (30-45 dias).
Quem espera dezembro pra perceber, age em janeiro — e o ano fiscal seguinte já começa atrasado. Junho é a última janela do ano pra mexer e ainda colher.
KPI 1 — Receita realizada vs forecast (não vs meta)
A diferença é sutil mas crucial.
- Meta: o que você queria no começo do ano. Aspiracional.
- Forecast: o que você projetava com base nos últimos 3-6 meses. Realista.
Comparar com a meta é frustrante (quase sempre dá menos). Comparar com o forecast é informativo (mostra se você está em rota ou desviou).
Como medir:
- Forecast inicial do semestre: somatório de receitas previstas que você fez em janeiro.
- Forecast atualizado a cada mês conforme realidade.
- Realizado: receita real bruta no semestre.
- Δ% = (Realizado − Forecast atualizado) / Forecast atualizado × 100.
Interpretação:
- Δ ≥ -5%: rota saudável. Mantém estratégia.
- Δ -5% a -15%: alerta amarelo. Identifica o canal que caiu (vendas direta? indicação? marketing pago?) e ajusta.
- Δ < -15%: vermelho. Decisão estratégica — corta despesa, renegocia, busca financiamento.
O ajuste possível em junho: se o canal que falhou é marketing pago, junho ainda dá pra recalibrar pra entregar tráfego em setembro. Se é time de vendas, dá pra contratar/substituir até agosto. Dezembro só dá pra observar.
KPI 2 — Ticket médio e mix de produto/serviço
Receita total pode estar OK mas com composição errada.
Como medir:
- Ticket médio = receita total / número de vendas.
- Mix: receita por linha de produto/serviço. Quanto vem de cada uma.
Interpretação:
- Ticket médio subiu sem queda de volume = ótimo, vendendo mais valor.
- Ticket médio caiu com volume mantido = vendendo mais barato. Por quê? Concorrência, desconto, mix ruim.
- Mix concentrado em 1 linha (>60% da receita) = risco de concentração.
- Mix com linha de baixa margem ganhando peso = ralo de margem.
O ajuste possível em junho: cortar SKU/serviço de baixa margem antes do segundo semestre. Reprecificar a linha que caiu em ticket. Investir comercialmente na linha mais lucrativa.
KPI 3 — Tempo médio de fechamento de venda
Quanto tempo passa entre o lead chegar e fechar?
Como medir:
- Pra cada venda fechada no semestre, calcule dias entre primeiro contato e aceite da proposta.
- Tira a média (excluindo outliers).
Interpretação:
- Tempo estável: operação saudável.
- Tempo subindo: cliente está demorando mais pra decidir. Causas comuns: proposta com fricção (PDF anexo?), follow-up fraco, preço fora de mercado.
- Tempo caindo: ótimo. Você melhorou velocidade do funil OU cliente está com urgência maior.
O ajuste possível em junho: revisar o funil de vendas (pipeline B2B ciclo curto, 5 colunas — sai no lote 4), implementar cadência de 7 toques, trocar PDF por link público. 60-90 dias pra ver resultado.
KPI 4 — Margem por linha de receita (não margem geral)
A margem geral consolidada esconde margem ruim em linhas específicas.
Como medir:
- Pra cada linha de receita (produto/serviço), calcular:
- Receita bruta dessa linha no semestre.
- Custos diretos dessa linha (insumos, terceiros, comissão, tempo de funcionário dedicado).
- Margem de contribuição = Receita - Custos diretos.
- Comparar margem entre linhas.
Interpretação:
- Linha com margem 40%+: motor da empresa. Investe.
- Linha com margem 20-40%: saudável. Mantém.
- Linha com margem <20%: vermelha. Por quê? Custo alto? Preço baixo? Mix de cliente errado?
- Linha com margem negativa: corta ou repreça imediatamente.
Reforma Tributária 2026: lembre-se que a alíquota efetiva muda com CBS/IBS (veja Reforma Tributária 2026 pra PME). Recalibre margem considerando o cenário 2027-2028 — não só 2026.
O ajuste possível em junho: cortar/repreçar linha de margem baixa. Aumentar volume na linha de margem alta. Negociar fornecedor da linha apertada.
KPI 5 — Capital de giro em dias de operação
A métrica que mais surpreende quem mede pela primeira vez.
Como medir:
- Capital de giro = (saldo em caixa + a receber até 30 dias) − (a pagar até 30 dias).
- Custo operacional médio diário = (despesa operacional dos últimos 6 meses / 180).
- Capital de giro em dias = Capital de giro / Custo operacional diário.
Interpretação:
- ≥45 dias: empresa confortável. Pode investir, contratar, expandir.
- 30-45 dias: saudável. Mantém estratégia.
- 15-30 dias: alerta amarelo. Cuidado com investimento grande. Atenção a inadimplência.
- <15 dias: vermelho. Empresa apertada. Risco de não fechar mês se cliente atrasa.
Esse número é o que separa empresa estável de empresa em pânico. E pode estar invisível pra quem só olha saldo do banco.
O ajuste possível em junho: reduzir prazo de cobrança (de 30 pra 15 dias), antecipar faturamento via régua de cobrança, renegociar prazo de fornecedor, cortar SKU/serviço de baixa margem (já discutido em KPI 4).
Como interpretar os 5 KPIs juntos
Olhar cada um isolado é míope. A leitura combinada é onde mora a inteligência:
| Cenário típico | KPI 1 | KPI 2 | KPI 3 | KPI 4 | KPI 5 | Diagnóstico |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Saudável | ≥-5% | ↑ ou estável | Estável | ≥30% | ≥30d | Cresce com calma |
| Crescimento agressivo | ≥0% | ↑ | ↓ | Estável | 15-30d | Cuidado com capital de giro |
| Estagnação | ≈ -10% | Estável | ↑ | Estável | Estável | Funil precisa de oxigênio |
| Margem queimada | ≥0% | ↑ volume / ↓ ticket | Estável | <20% | <30d | Repreça urgente |
| Crise discreta | -20% | ↓ | ↑ | <20% | <15d | Decisão estratégica |
A leitura combinada conta a história. KPI 1 sozinho não.
O ajuste que dá pra fazer em junho vs o que só dá em julho
Quanto antes você decidir, mais resultado colhe no semestre seguinte:
Decide em junho → resultado em outubro/novembro:
- Cortar SKU de baixa margem
- Recalibrar canal de marketing
- Renegociar prazo de cobrança
- Repreçar linha de produto
- Contratar/substituir vendedor
Decide em julho → resultado em novembro/dezembro:
- Mudança de fornecedor (60-90d pra implementar)
- Lançamento de produto novo (90-120d)
- Recontração estrutural de equipe
Decide em agosto → resultado em janeiro do ano seguinte:
- Estratégia anual nova
- Pivô significativo
Empresa que revisa em junho age em junho. Empresa que revisa em dezembro planeja pro ano seguinte e perde 6 meses.
Resumo de bolso
- Junho é a última janela do ano pra mexer e ainda colher no semestre.
- 5 KPIs: Realizado vs forecast · ticket + mix · tempo de fechamento · margem por linha · capital de giro em dias.
- Compare com forecast atualizado, não com meta inicial (forecast é informativo, meta é frustração).
- Margem por linha esconde verdades que margem geral mascara.
- Capital de giro em dias é o KPI mais subestimado — separa empresa estável de empresa em pânico.
- Decisão em junho = resultado em outubro. Decisão em dezembro = espera 2026.
Revisão semestral não é exercício contábil. É ajuste de leme. Tira 2h essa semana com seu sócio e seu financeiro. Vale a diferença entre fechar o ano com sorriso ou com aperto.
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Kauan Felipe Cunha de Faria
Founder da Katto Neo. Construindo o Hub modular pra PME brasileira — onde vendedor fecha e a IA cuida do resto.
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